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Jornalismo, Política, Rio

Um herói simples do povo

Hoje, 30 de agosto, foi inaugurada a estação “Motorneiro Nelson”, uma homenagem ao comandante do bondinho que se acidentou em 27 de agosto de 2011 matando Nelson e mais 5 pessoas em função do descaso do estado do Rio de Janeiro com a conservação dos trilhos.
Marco 27-50
Homenagem justa e conseguida pela força e luta da AMAST – Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa. Ela se faz ao trabalhador negro que tanto deu alegria e um pouco mais de humanidade à vida de todos que circulavam sob sua conduta. Quando ocorreu o acidente, o governo do estado e seus asseclas da mídia tentaram “incriminar” Nelson como responsável pelo acidente. Entretanto, com a força e o carinho que o mesmo tinha com a comunidade de Santa, foi possível reverter esse quadro bizarro e o estado teve que se responsabilizar pela sua ausência e má condições de conservação e trabalho.
Atualmente, o percurso do bonde corresponde a menos de 20% de seu trajeto necessário. Todavia, os jornais e os turistas poderão fotografá-lo sobre os Arcos da Lapa, uma maneira simples de maquiar e desarticular a pressão social sobre os órgãos compotentes. Por isso, tanto a AMAST em um trabalho incansável e cotidiano, quanto aqueles que amam e valorizam Santa, devem continuar cobrando a solução das obras e do próprio transporte que apesar da promessa, ainda assim, pode muito bem ameaçar a vida dos moradores locais, condenando o serviço a ser utilizado por turistas e não pela comunidade.
 
Portanto, é mais do que necessário, dentro desse quadro, perguntar e Se a Cidade Fosse Nossa, como seria a vida em Santa, como seria a comunidade para aqueles que por lá vivem?!
MARCO 27 – 2015

No ato deste ano, a estação Carioca foi rebatizada para estação “Motorneiro Nelson” e contou com a presença de familiares do condutor e moradores de Santa Teresa. Com espírito artístico e ecumênico, o ação teve a presença da flautista Odete que interpretou “Viagem ao Céu”, obra em homenagem ao bonde de Santa. A ocasião reuniu representantes de várias linhas religiosas, com destaque para a fala do representante da Igreja Anglicana que afirmou em sua fala o duplo pertencimento da comunidade: ao cristianismo e aos cultos de matriz africana. Após a inauguração da placa oficial que dá nome à estação, o cortejo caminhou sobre os Arcos da Lapa até o local onde ocorreu o fatídico acidente. Lá, uma horta foi feita em homenagem a Nelson e até um poema em sua homenagem foi recitado. Em seguida, o ato prosseguiu até o Curvelo – único largo onde o bonde chega atualmente (menos de 20% do trajeto real). Lá, foi realizada a lavagem e a sagração religiosa não apenas pelo local, mas pelo todo o bairro. No fim, o evento ainda contou com a presença do coro da Igreja Anglicana.

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