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Música, Sons & Vibrações

Karina Buhr – Eu Menti pra Você

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Crítica por Hugo Avelar em Outra Página

Se o seu primeiro contato com a Karina Buhr for ao assistir uma performance ao vivo dela, talvez, você se assuste um pouco com o que ver. Tudo porque as perfomances  da cantora tem esse poder e também nos intrigam, ao mesmo tempo que me nos deixam maravilhados. A moça não para um minuto sequer de correr, de andar pra um lado pro outro e se jogar no chão enquanto solta a voz com figurinos com muito, mas muito brilho e maquiagem carregada, numa esquizofrenia impressionante. E essa esquizofrenia artística, perpassa não só suas apresentações, mas reflete o teor das suas composições e dos dois discos já lançados pela cantora, com faixas que variadas em ritmos e temas.

Seu primeiro trabalho, Eu Menti Pra Você (2010) encarna esse mix de sentimentos ao trazer influências do rock, da MPB e da música pernambucana em suas canções, que discutem desde a sociedade atual, as leis de incentivo a cultura, passando pela guerra no Iraque, pelo amor e pela preguiça cotidiana.

Karina já começa, irônica, com a música que dá título ao disco. Com toques de MPB a laTom Jobim, a moça admite, em tom de vilã de novela mexicana (e com um sotaque delicioso), que é uma pessoa má e que mentiu para o amado. Mas fazendo uma mea culpa, ela avisa que tem um grande amor pra dar a ele, basta ele aceitar. O tom muda na faixa seguinte, Vira pó onde a cantora faz crítica ao cotidiano (e, porque não, ao modo de vida capitalista), em uma música que agrega elementos de reggae e ska.

Em Nassiria e Najaf a qualidade de compositora de Karina explode e fisga o ouvinte de forma assustadora. Em versos como “Dorme logo antes que você morra”, a cantora entrega num pop-rock com letra forte, uma crítica a guerra do Iraque e uma canção de ninar para as crianças de Bagdá, conforme a própria anuncia no final da canção. O mesmo tom contestador e crítico é mantido em Ciranda do Incentivo, canção debochada em que Buhr tira sarro da indústria da música no Brasil, onde é “preciso entrar no gráfico do mercado fonográfico” para conseguir colocar um disco na lei de incentivo a cultura.

No bloco final de Eu Menti Pra Você, Karina canta em alemão em Telekphonen e baixa a bola em Mira Ira, pra depois flertar com o rock pesadão e criticar a polícia em Soldat.Esperança Cansa e Bem Vindas destoam um pouco do disco, soando mais fracas em termos de letra e ritmo, mas nada que comprometa o resultado final.

E depois de certa tensão e crítica em suas canções, Karina termina fazendo uma ode a preguiça com Plástico Bolha dizendo que não quer nenhum corre-corre e confusão, só quer passar a tarde toda estourando plástico bolha (uma ótima música para ouvir nesse feriadão gostoso, aliás).

Mas não pense  você que o álbum, com essa variedade de ritmos e temas, soa como um grande emaranhado de canções sem coesão. A esquizofrenia artística de Buhr, se apresenta aqui num trabalho de muito bom gosto, que consegue alcançar um fio condutor: a crítica (e porque não as várias faces) do cotidiano. Para um registro que teve como principal objetivo apresentar uma cantora polivalente para o grande público,Eu Menti Pra Você serve perfeitamente e deu um aperitivo do que Karina é capaz.

Eu Menti Pra Você
Produzido por: Karina Buhr, Bruno Buarque bankruptcy attorney phoenix Mau

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