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Juiz de Fora, Música, Sons & Vibrações

A cultura do vinil – Coletivo Vinil é Arte lança sua primeira coletânea

Desde 2001 na estrada, coletivo de DJs e pesquisadores da cultura do vinil lança sua primeira coletânea em Juiz de Fora e nas três capitais de Minas, São Paulo e Rio. Prêmio Natura Musical 2013 garantiu 1000 cópias prensadas da coletânea de remixes com músicas de grupos e compositores mineiros.

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Vinil Hermeto-11

DJ Tuta – Coletivo Vinil é Arte, escolhe disco em evento no Circo Voador (RJ)

O Brasil possui uma riqueza cultural fonográfica que quase foi perdida com a digitalização da forma de se ouvir e de se comercializar músicas. E isso, desde o CD, no início dos anos 90 e o jabaculê de sempre das rádios comerciais, reduzindo o campo e padronizando o ouvido. Muitos EPs e LPs foram parar na garagem e mesmo no lixo. Além de milhares de vitrolas mofadas e quebradas que pegaram poeira, encostadas no alto de armários.

Alguns poucos apaixonados e outros tantos herdeiros de coleções desdenhadas conseguiram através do cultivo e da paciência, continuar dando vida à cultura do vinil. Eles botaram em funcionamento pick-ups, conseguiram agulhas e restauram amplificadores e também, peneiraram muito! Passaram horas em lojas de usados, nas casas de parentes mais velhos e também, barganhando e encontrando pérolas nas famosas Feiras Livres. Valorizaram e investiram tempo e recurso naquilo que a sociedade descartou. Assim, mesmo sob o domínio do pendrive, alguns DJs se arriscaram a continuar a valorizar o disco e a música de vinil voltou às pistas, em festas e bares, mas com um novo paradigma: além do formato analógico, o setlist era também especial. O garimpo e o gosto musical resgataram a riqueza da música brasileira, aquela produzida nas capitais, mas com os aspectos antropológicos da regionalidade, do caráter brasileiro das multifaces e origens culturais, religiosas e geográficas de nosso povo. E num passo seguinte, as pick-ups alçaram glória à música negra, ao black, soul, disco, mas também sua versão e originalidade brasileira. Tim Maia, Jorge Ben, Noriel Vilela, Moacyr Santos e tantos outros, que ou estavam obscurecidos pelo tempo e pelo digital ou apenas se conhecia uma atividade fonográfica muito atrelada à TV e aos anos 80 e 90. O vinil trouxe de volta os primeiros álbuns de Ben e claro, “Racional”, de Tim – o que já diz tudo da importância desses cultivadores das bolachas.

Vinil é Arte – A cultura do vinil se torna curadoria nas pistas

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Em Juiz de Fora, desde o início do milênio, festas foram produzidas exclusivamente com repertório em vinil. De um hábito entre amigos, tornou-se paixão e profissão. Boates, bares, casas particulares ou eventos ao ar livre recebiam clássicos do rock dos anos 70, Soul, Funky, Samba-rock, Bossa, MPB e nomes que ressurgiram com as agulhas como Noriel Vilela, Di Melo, Simonal. A pesquisa também levou ao público um outro lado de Tim, Jorge Ben e Roberto Carlos. Tudo muito diferente da “cena” contemporânea, mas muito rica e vibrante.

vinil lpJuiz de Fora é uma cidade que ocupa uma posição estratégica no sudeste. A menos de 200 Km do Rio, o município de fronteira, fica a 250 Km de Belo Horizonte e pouco mais de 5 horas de carro de São Paulo. Em seu entorno e dependência, vivem cerca de 2 milhões de pessoas espalhadas pela zona da mata mineira, vertentes e sul de Minas, além de parte do estado do Rio. Rota comercial desde os tempos coloniais, a cidade até hoje é visitada por milhares de pessoas de outras localidades no intuito do próprio comércio, mas também por conta da universidade pública e das oportunidades profissionais. Assim, há nela uma cultura própria, de passagem e transição, mas que também conserva um acúmulo e uma forma de se criar novos agenciamentos artísticos.

Em 2001, foi criado na cidade o Coletivo Vinil é Arte. Ele é fruto da pesquisa e da vontade de ouvir, mas também levar aos amigos e à sociedade uma forma de apresentação da música com variedade sonora incrível e baseada em um áudio desacostumado do rádio e da TV. Ao mesmo tempo, valorizando alguns sons, ritmos e gêneros como o passado regional brasileiro, latino, black e outras derivações que estiveram na cena de décadas anteriores e se encolheram com o tempo do digital. A proposta se mostrou não só viável na questão sonora ou mesmo, dançante – havia espaço para tudo, sobretudo, para um passado menos veloz e digitalizado, mas também, se tornou uma fonte antropológica e de pesquisa da cultura fonográfica brasileira, bem como de parte da América Latina, África e até, o Leste Europeu. Criou-se assim, uma possibilidade de variação de público e repertório.

Inicialmente o Coletivo tinha como base Juiz de Fora. NiggasPedro Paiva e Tuta viviam e trabalhavam na cidade. Após 5 anos de épicas noites, o Vinil é Arte chegou à São Paulo e alguns anos depois, ao Rio de Janeiro. Niggas se juntou a Caio Formiga na capital paulista e Tuta, a Marcello MBgroove, no Rio. Paiva continuou em Juiz de Fora e Luiz Valente, em BH, a passou a representar o grupo.

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DJs do Coletivo Vinil é Arte no COPAFEST 2013 – Hotel Copacabana Palace

Em 2013, o Vinil é Arte foi um dos contemplados pelo prêmio Natura Musical. Assim, depois de uma década e meia de curadoria em festas e nas pistas, o Coletivo obteve a oportunidade de criar sua própria coletânea, com remixes de músicas de grupos mineiros, a maioria contemporâneo. A premiação garantiu a prensagem de mil cópias pela PolySom. Agora, dia 11 de fevereiro acontece o lançamento virtual no site vinilearte.com e também tem início a tour nas quatro cidades, começando em Minas e em março, indo à São Paulo e ao Rio:

Juiz de Fora, 11/02 – Bar da Fábrica | 22h

Belo Horizonte, 12/02 – Baixo Centro Cultural | 22h

São Paulo, 01/03 – Centro Cultural Rio Verde | 17h

Rio de Janeiro, 05/03 – Mercado Fundição  (Fundição Progresso) | 20h

A cultura de Juiz de Fora e Minas para o Brasil

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O processo de produção do LP demorou um ano e teve a participação de grupos e compositores de Juiz de Fora, Belo Horizonte e Tiradentes, além dos integrantes do Coletivo na direção artística dos remixes. A faixa que abre o vinil, remixada por Tuta e Rafa, foi um garimpo especial. “Congado” é o registro de cantos e tambores do congado Nossa Sra do Rosário e Escrava Anastácia, de Tiradentes. O grupo nunca havia entrado em um estúdio até o convite do DJ Tuta para integrar o projeto. O contemporâneo e o regional comungaram a cultura folclórica e religiosa com o dub jamaicano.

De Juiz de Fora foram remixadas “Frevo Maracatu”, do Quinteto São do Mato e “Do Cairo ao Cariri”, de Kadu Mauad, por DJ Niggas; “Não dê bobeira” do Silva Soul, por Pedro Paiva e “Descaso do Destino”, música do AudioCrew, trabalhada por ambos. A cidade de origem do Vinil é Arte ainda é representada por “Império de sal”, de Dudu Costa e Daniel Lovisi, remixada pelo DJ Formiga. Representando a capital mineira, Coyote Beatz e DJ Luiz Valente com “Dinamites” e “Rei da Tupanga africodélico”, do Iconili e reapresentado por Marcello MBgroove e Machintal.

Discussão

2 comentários sobre “A cultura do vinil – Coletivo Vinil é Arte lança sua primeira coletânea

  1. Republicou isso em O jornaleiroe comentado:
    Tenho uma bela coleção. Não cataloguei. Acredito que mais de cinco mil discos – vários adquiridos no exterior -, que pretendo passar para um colecionador. Fica a oferta

    Publicado por Talis Andrade | 28/05/2015, 0:35

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