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Estesia

Jan Saudek – Fotografias

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Fantasia, realidade, ilusão, verdade… a indefinição do que filosoficamente seria uma imagem fotográfica trouxe debates que envolvem tanto jornalismo, quanto semiótica e também o campo das artes. Manipular cenas indica censura ou indução? Qual é o limite para que o efeito deixe seu aspecto secundário e se transforme em ferramenta de comunicação para uma mensagem? É possível mesclar cena e pós-produção?!

Jan Saudek, artista Tcheco nascido em 1935, conseguiu traduzir em suas fotografias essa mesma indefinição, em um encontro de significados que beiram tanto o possível quanto o improvável. O paradoxo e a experimentação da(s) linguagem (ns) apontam cenas muito bem elaboradas, com tons eróticos e surrealistas, mas que não conquistam o inteiro desconforto ou mesmo, podem ser chamadas de irracional. Talvez sim, silenciosas, secretas, escondidas, visualizadas apenas por um observador solitário, presente, mas também lúdico. Homens, mulheres, crianças, objetos, cenários e claro, a utilização artística dos recursos do laboratório fotográfico em um momento pré-photoshop garantem à sua produção um lugar significativo no panteão artístico da segunda metade do século XX.

Os temas floreiam as contradições da condição humana e os desafios de se colocar em um mundo guiado por acessórios, posturas e condições. Seus personagens geralmente utilizam as mãos para guardar, apontar, revelar objetos e com isso, sentimentos. Ao mesmo tempo, muitos estão distantes, com os olhos voltados para o espírito, para o vazio, para longe do momento. Os corpos encenam o escondido, o sexual, mas não necessariamente, o fálico. O masculino está nas coisas, não nas pessoas. O obtuso do feminino parece dominar a atenção de Saudek. O próprio incremento que dá aos retratos pela pós-produção, apesar de revelar um excesso que beira o artificial, nos conduz a uma realidade ainda mais plena da cena. Não há como negar certa confusão inicial sobre o que é ou não real. Porém, essa impressão inicial logo passa, pois sim, aquilo é uma cena que mesmo que não tenha acontecido na espontaneidade do mundo, foi forjado na criatividade e na paranoia de um artista.

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