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Edo-jidai – A arte japonesa dos Xoguns

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A-grande-Onda---Kanagawa

A Grande Onda de Kanagawa – entre 1830-1833 | Gravura Japonesa

Como deveria ser supostamente normal em um cotidiano fragmentado e com excesso de informação, a arte do Período Edo (1603-1868) é reconhecida pelo ocidente como A arte japonesa.  Entretanto, além de fazer parte da meta-história – pelos temas que retrata da época dos Shoguns, a arte do período muitas vezes é vista e reconhecida de forma generalizada – como se todos fossem um só artista, um só Japão. Muitos ocidentais pensam, inclusive, que “Edo” era um artista. Nada anormal para a forma como recebemos as informações ao longo da última metade de século. Entretanto, são mais de 250 anos de expressão e várias gerações de gravuristas que retrataram os detalhes de cada um dos momento do Edo. Elementos do budismo e a frequente imagem da mulher, oferecem uma possibilidade de introspecção e reverência. Um momento em que os clãs e o poder dos Xoguns fez com que o Japão deixasse o medievalismo e chegasse à base intelectual e filosófica que compõe parte do seu folclore e atualidade.

Foram listados nove artistas do período. Sobre cada um dos nomes há um link.  Em algumas ocasiões, ele leva para a descrição da biografia do artista no Wikipedia. Entretanto, nem todos estão listados na enciclopédia livre. Assim, alguns dos nomes podem levar para uma galeria americana que esteja revendendo a obra ou uma instituição de arte, como um museu.

Reconhecer uma cultura está diretamente relacionamento a ir a fundo, pesquisar, querer entender diferenças externas e também, as internas. Após as imagens, a descrição da sociedade e da cultura do Período Edo, via Wikipédia. Uma base para pesquisas futuras.

Tsuruzawa Tansaku Morihiro, Ichirakutei EisuiOkumura MasanobuUtagawa KunisadaUtagawa Kuniyoshi, Utagawa Toyoharu, Kitagawa UtamaroKoikawa Harumasa e Torii Kiyonaga.

A Sociedade no Período Edo

Depois de um longo período de conflitos internos, o principal objetivo do recém-estabelecido governo Tokugawa era o de pacificar o país. O governo criou uma balança de poder que permaneceu (praticamente) estável pelos próximos 250 anos, influenciada por princípios de ordem social confucionistas. A maior parte dos samurais perdeu seus direitos de possessão sobre terras: toda a posse das terras foi concentrada nas mãos de aproximadamente 300 daimios. Os samurais então tiveram que decidir: desistir de sua espada e se tornarem aldeões, ou mudar para a cidade de seu senhor feudal e tornar-se seu vassalo pago. Somente alguns samurais com posse de terras permaneceram nas fronteiras de províncias ao norte, ou como vassalos diretos do xogun. Eram chamados de hatamoto e eram aproximadamente 5 mil. Os daimios foram colocados em um controle firme pelo xogunato. Suas famílias tinham que residir em Edo, e os próprios daimios tinham que morar em Edo por um ano, e, no próximo, em seu han (domínio). Esse sistema era chamado de sankin kotai.

Navio Vermelho - autor desconhecidoA população foi dividida em quatro classes: os samurais no topo (mais ou menos 5% da população), os aldeões ou fazendeiros (mais de 80% da população) no segundo nível. Abaixo dos aldeões estavam os artesãos, e abaixo desses, no quarto nível, os mercadores. Somente os aldeões viviam em áreas rurais. Samurais, artesãos e mercadores viviam em cidades que eram construídas em volta dos castelos do daimio, cada um tendo uma parte específica da cidade para residir. Embora esta fosse a divisão social determinada, na prática a situação social era um tanto diferente. Os mercadores normalmente eram a classe mais rica e às vezes os samurais incorriam em dívidas para se manter no topo e competindo com os mercadores.

Porém, existiam os que estavam acima do sistema de classes, os kuge, descendentes da corte imperial em Kyoto. Embora eles houvessem reconquistado seu status social e respeito após a pobreza que havia se instalado depois de anos de guerras, sua influência política era praticamente zero.

Abaixo da classe mercante havia os chamados de eta e hinin, esses eram os que tinham profissões que quebravam tabus budistas. Eta eram açougueiros, curtidores, e agentes funerários. Os hinin serviam como os guardas da cidade, limpadores de rua e carrascos. Outro grupo eram os artistas e prostitutas. A palavra eta literalmente traduzida significa “sujeira” e hinin “não-humanos”, um reflexo da atitude tomada por outras classes que consideravam os eta e os hinin como não humanos. Algumas vezes vilarejos de eta não eram nem impressos em mapas oficiais.

O indivíduo não tinha direitos legais no Japão do governo Tokugawa. A família era a menor entidade legal, e a manutenção do status da família e de seus privilégios era de grande importância em todos os níveis da sociedade.

A Cultura no Período Edo

Kameido Hiroshige Meisho

Durante o período, o Japão estudou progressivamente as ciências e técnicas ocidentais (ato chamado de rangaku, literalmente “estudos holandeses”) através das informações e livros trazidos pelos comerciantes holandeses para Dejima. As áreas principais de estudo incluíam geografia, medicina, ciências naturais, astronomia, arte, línguas, ciências físicas, como o estudo do fenômeno elétrico, e ciências mecânicas, como exemplificado pelo desenvolvimento de relógios mecânicos ou wadokei, inspirados por técnicas ocidentais.

O florescimento do Neo-Confucionismo foi o principal desenvolvimento intelectual do período Tokugawa. Estudos confucionistas viam sendo mantidos ativos por clérigos budistas, mas durante o período Tokugawa o confucionismo emergiu do controle religioso budista. Esse sistema de pensamento aumentou a atenção para uma visão secular do homem e da sociedade. O humanismo ético, racionalismo, e a perspectiva histórica da doutrina neo-confucionista se tornavam atraentes para as classes de oficiais do governo. Lá pelo meio do século XVII, o neo-confucionismo foi a filosofia legal dominante no Japão e contribuiu diretamente para o desenvolvimento da escola de pensamento (aprendizagem nacional) do kokugaku.

Confucio ( 551 a.C. – 479 a.C ) - sábio chinês que influenciou a cultura e os costumes nipônicos

Confucio ( 551 a.C. – 479 a.C ) – sábio chinês que influenciou a cultura e os costumes nipônicos

Estudos avançados e aplicações crescentes do neo-confucionismo contribuíram para a transição de uma ordem política e social com normas feudais para uma ordem de praticas orientadas para classes e grandes grupos. O governo das pessoas ou do homem confuciano foi gradualmente substituído pelo governo da lei. Novas leis foram desenvolvidas, e novos esquemas administrativos foram instituídos. Uma nova teoria de governo e uma nova visão da sociedade emergiam como um meio de justificar de maneira mais abranjente o domínio do bakufu. Cada pessoa tinha um lugar distinto na sociedade e era esperado que se trabalhasse para cumprir sua missão em vida. As pessoas deveriam ser governadas com benevolência por aqueles que eram designados para governar. O Governo era todo poderoso, mas também responsável e humanitário. Embora o sistema de classes tenha sido influenciado pelo neo-confucionismo, não era idêntico ao que ele propunha. Enquanto os soldados e clérigos estavam no topo de hierarquia no modelo chinês, no Japão alguns membros dessas classes constituíam a elite que governava.

Um livro ocidental traduzido em japonês durante o período Rangaku, março de 1808.

Membros da classe samurai aderiram às tradições bushi com um interesse renovado na história japonesa e na cultivação dos costumes dos administradores-acadêmicos confucionistas, resultando no desenvolvimento do conceito do bushido (o caminho do guerreiro).5 Outro tipo de filosofia de vida — chonindo — também surgiu. O chonindo (o caminho do cidadão comum) foi uma cultura distinta que havia surgido em cidades como Osaka, Kyoto, e Edo. Ela encorajava aspirações às qualidades do bushido – diligência, honestidade, honra, lealdade, e sobriedade – enquanto mesclavam crenças xintoístas, neo-confucionistas e budistas. Estudos de matemática, astronomia, cartografia, engenharia, e medicina também eram encorajados. Uma ênfase foi colocada sobre a qualidade de trabalhos manuais, especialmente na arte. Pela primeira vez, as populações urbanas tinham meios e o tempo livre para apoiar uma nova cultura de massas. A busca por divertimento tornou-se conhecida como ukiyo-e (o mundo flutuante), um mundo ideal da moda e do entretenimento popular. Artistas profissionais mulheres (gueixas), música, histórias populares, Kabuki e Bunraku (teatro de marionetes), poesia, e uma rica literatura, e arte, exemplificados pelo lindo trabalho em impressão de blocos de madeira (conhecidos como ukiyo-e), eram todos parte dessa cultura que florescia.5 A literatura também floresceu com os exemplos notáveis do dramaturgo Chikamatsu Monzaemon (1653-1724) e do poeta, ensaísta, e escritor viajante Matsuo Basho (1644-1694).

A Grande Onda de Kanagawa por Katsushika Hokusai (1760–1849).

Impressões ukiyo-e começaram a ser produzidas no final do século XVII, mas em 1764 Harunobu produziu a primeira impressão policrômica. Designers de impressão da próxima geração, incluindo Torii Kiyonaga e Utamaro, criaram representações elegantes e algumas vezes criteriosas de cortesãs. No século XIX a figura dominante foi Hiroshige, um criador de impressões de paisagens românticas e de alguma forma sentimentais. Os ângulos estranhos e formas pelas quais Hiroshige frequentemente representava as paisagens, e os trabalhos de Kiyonaga e Utamaro, com sua ênfase em superfícies planas e fortes, contornos lineares, tiveram posteriormente um profundo impacto em artistas ocidentais como Edgar Degas e Vincent van Gogh.

Kano Eino - 1631–1697

Kano Eino – 1631–1697

O budismo e o xintoísmo eram muito importantes no Japão de Tokugawa. O budismo, combinado com neo-confucionismo, forneceu os padrões para o comportamento social. Embora não tão politicamente poderoso quanto fora no passado, o budismo foi apoiado pelas classes superiores. Proibições contra o cristianismo beneficiaram o budismo em 1640 quando o bakufu ordenou que todos se registrassem em um templo. A rígida separação da sociedade no governo Tokugawa em hans, vilarejos, guarnições, e casa da família ajudou a reafirmar ligações xintoístas locais. O xintoísmo forneceu o apoio espiritual para a ordem política e foi um vínculo importante entre os indivíduos e a comunidade. O xintoísmo também ajudou a preservar um senso de identidade nacional.

O xintoísmo eventualmente assumiu uma forma intelectual forjada pelo racionalismo e materialismo neo-confucionista. O movimento kokugaku surgiu como uma forma de interação entre os dois sistemas de crença. O kokugaku contribuiu para o ideal de nacionalismo centrado no imperador do Japão moderno e o ressurgimento do xintoísmo como um credo nacional nos séculos XVIII e XIX. O kojiki, Nihonhi, e o Man’yoshu eram uma nova forma de estudo na busca do espírito japonês. Alguns puristas do movimento kokugaku, como Motoori Norinaga, até criticaram as influências budistas e confucionistas – e consequentemente, as influências estrangeiras – por contaminar os costumes antigos do Japão. O Japão era a terra dos kami e, como tal, tinha um destino especial.

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