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Deputapadre – Um papa libertador em uma instituição que se abre ao consumo

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O problema pra mim é o dinheiro, claro. Aliás, por mais que as aulas de história de nossos professores nos tenham dado informações sobre o que a igreja fez de ruim para negros, índios, mulheres e pensadores livres, é importante lembrar que esse ponto de vista também foi inflado pelo liberalismo – esse que está na agenda de nosso neopovo, um país de consumidores e na semana passada, consumidores-católicos (chamados assim pela TV em algumas matérias). Aqui, de forma contraditória, macunaimamente, fomos inflados ao consumo e ao crédito, nos descolando década por década do ideal de pobreza cristã.

Nossa terra estuda, fala e, parece às vezes, ver o mundo como os europeus e os EUA, mas nossa “cristandade” é católica, diferente de nossa base de pensamento midiático-cultural – a identidade “evangélica” dos americanos e hoje, vista no neopentencoalismo das igrejas evangélicas que pedem sem remorso dinheiro em troca de uma vida espiritual/material segura. Essas culturas veem na materialidade uma dádiva e um sinal divino (resumidamente e generalizando o que pouco sei e estudei). No Brasil, sobretudo o comunismo e, por outro lado, o espiritismo cristão, são reflexões que ajudaram a ver a igreja católica como uma instância de poder ultrapassada e que deixou feridas e ainda influencia fortemente uma geração (de pais e avós).

Ao mesmo tempo, as novelas e o jornalismo, a publicidade e programas de TV, também expuseram um comportamento moral diferente do católico – trepar não é problema nenhum na Globo, ter um pouco dos sete pecados capitais para subir na carreira ou desrespeitar algumas liturgias em nome do marketing também não. Dar um gole aqui, acolá, é visto como um grau de esperteza. E ai está a contradição brasileira – ainda assim, ela continua a serviço do pensamento católico – todo dia tem missa de manhãzinha (ou seria sábado e domingo, não lembro).Inclusive, a indústria fonográfica também lucra com isso – o que são esses padres marombados, cantores, escritores e donos de pousadas espirituais!??!?. Ou seja: consumo e catolicismo! Fora o moralismo cultural que subjetivamente paira sobre nossas cabeças desde sempre, pra mim, representados por grupos como a mídia, as igrejas e a polícia, exteriorizado pela repressão policial do estado quando está claro que esses poderes, tal qual a própria igreja católica, evangélica, o monopólio de mídias, estão defasados em relação ao que a própria sociedade, aquela que o sustenta, já não aguenta mais a maneira como ele a trata – excesso e exceção.

Esses nomes já não cabem mais. Talvez por isso, o Papa parece ser mais interessante que a Igreja. Ele é uma pessoa, tem mais representatividade do que as entidades no marketing atual, que pede: relacionamento, horizontalidade, diversidade, espontaneidade, honestidade, comunicação pessoal e inteligência. Ingredientes que tocam consumidores, cidadãos e fieis – e tudo isso ao mesmo tempo.

Enfim, talvez a cena da marcha das vadias tenha sido um reflexo desse pensamento louco que é fé e é consumo, é fé na livre expressão sem repressão, mas também presa num pensamento radical de valores baseados nas posses, no status e na liberdade pelo consumo de bens e momentos.

Essa foi uma performance macunaíma e que, se possível, transforme muito mais do que os espaços vazios como o facebook, em locais de discussão. Espero que esse momento possa refletir no nosso cotidiano, seja no íntimo ou na relação com o próximo e com as coisas.

Acredito que ofender-se com uma ação na realidade, não é diferente do que uma na TV, por exemplo – aliás, tudo isso aconteceu na rua e depois foi refletida na internet – poucos viram ao vivo. São dimensões de vida acontecendo e que nos afetam, nos trazem sensações e pensamentos, conclusões e dúvidas. Todavia, o que espero é que, sobretudo a liberdade de pensamento e ação seja respeitada e, bem como, o bem senso e o conhecimento sincero de si, também sejam buscados. Precisamos de consensos para tamanha angústia e vontade de mudança.

Como escrevi semana passada, o papa tem um pensamento libertador e de esquerda, a igreja não. Isso talvez seja o grande aspecto positivo, a não ser que Francisco seja um lobo na pele de cordeiro – e se assim o for, mais do que tudo, ele também estava ali quebrando aquela imagem da santa. Afinal, todos aqueles que se valeram da crença sincera das pessoas para se aproveitar individualmente de forma sádica e gananciosa, não era a mão da mulher jogando a imagem no asfalto, mas o asfalto da miséria se chocando com a mulher.

A matéria abaixo assinala com dúvidas perante sua passagem por Buenos Aires, mas também fala de possíveis boatos com índice calunioso – informações e opiniões são necessárias, mas mais do que tudo, ações internas e cotidianas:

http://noticias.univision.com/benedicto-xvi-renuncia/conclave/article/2013-03-15/legado-papa-francisco-argentina#axzz2aTkbO3cH

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