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Arquitetura, Cultura, Documentário, Fotografia, Urbano

A casa da costureira | um início

“Criai ânimo, senhor, nossos festejos terminaram.
Como vos preveni, eram espíritos todos esses atores; dissiparam-se no ar, sim, no ar impalpável.
E tal como o grosseiro substrato desta vista,
as torres que se elevam para as nuvens,
os palácios altivos,
as igrejas majestosas,
o próprio globo imenso, com tudo o que contém,
hão de sumir-se, como se deu com essa visão tênue, sem deixarem vestígio.
Somos feitos da matéria dos sonhos;
nossa vida pequenina é cercada pelo sono.”
[“A Tempestade” – Shakespeare]

“Habitar um espaço se insere dentro de um tempo, entretanto, quantos tempos existem sobre um mesmo espaço?”

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A lógica cartesiana vem se tornando obsoleta para a pesquisa e estudo dos ambientes e da temporalidade dos conteúdos, passantes e viventes desses lugares. O espírito e as dimensões que se acumulam, contam e recontam, olham e reciclam as narrativas de um endereço, transcendem o tempo presente e co-habitam em justaposição o mesmo espaço, em que o olho do presente só vê a racionalização e o resultado da manifestação humana e natural nos elementos que ali ocupam no aqui-agora. O corpo vê a reação, os rastros e resquícios que levaram àquele momento. E a alma cuida de imaginar e reconstruir os possíveis, os agentes que proporcionaram o que “está”, mas é a criatividade, a construção e a ação que, efetivamente, traz o que pode ter permanecido, o que irá “permanecer”!

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Iniciamos um trabalho de pesquisa em audiovisual sobre a depreciação pública e privada de patrimônios tombados e considerados importantes para a valorização da cultura e da identidade local. No caso, Juiz de Fora. Entretanto, essa é uma realidade de nosso tempo que extermina a memória das coisas, das cidades e das possibilidades. Esse papo todo de justaposição é invalidado quase totalmente, toda vez em que um local tem uma edificação substituída por outra, um castelinho por uma casa, uma casa por um estacionamento, um estacionamento por um prédio. Restam apenas as memórias fluídas das vias orgânicas de quem pode se lembrar e quiça, fotos, vídeos e outras marcações que podem ou existir, permanecer. Assim, o trabalho fotográfico aqui postado e de vídeo que ainda virá, será uma forma de conferir certa eternidade às camadas que habitam o palacete dos Fillet (Espírito Santo com Independência) que há tanto sofre com o pouco caso e a disfunção burocrática.

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Discussão

Um comentário sobre “A casa da costureira | um início

  1. É de emocionar a gente !! Ver tantos descasos com o nosso patrimônio arquitetônico ! Confesso que,ao rolar cada imagem dessa,meu coração “pontava” uma dor de revolta !!

    Publicado por Hiram Lima Da Motta | 26/03/2013, 23:35

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