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A música universal brasileira | Orquestra Voadora

A música é uma espécie de patrimônio nacional. Desde os primórdios, quando o Quarup tomava a atmosfera de Pindorama, timbres e vibrações fluíam por nossas terras aprimorando ainda mais o estado idílico desse éden maculado. O século XX trouxe o samba, as conjugações com o estrangeiro, a antropofagia tropicalista, ritmos regionais e grandes mestres como Hermeto Pascoal, Moarcyr Santos e tantos outros de todos os pontos cardeais possíveis e impossíveis que arrastaram corpos e espíritos a um espiral dedicado ao sorriso. Talvez, naquele século, o último dos santos sagrados tenha sido Chico Science e a introdução do maracatu no cotidiano musical de vários jovens brasileiros.

A Orquestra Voadora abriu o Cultural Orquestral ao lado do Quinteto São do Mato

Ao mesmo tempo, convivemos com a insistência da insignificância. Há anos, somos mal-tratados pela mesmice e pela depreciação – em forma de produto, de gêneros da música brasileira. O que pensar do pagode, o que pensar do sertanejo – não venha com Xavantinho e Pena Branca e todo aquele blá de raiz, porque isso são outros 500 e não essa onda cornuda e padronizada que temos ai. O que respirar, não é nem pensar, de Michel Teló e Gusttavo Lima serem sucesso e referência da nossa música, internacionalmente?!? O que pensar de um país em que o principal jornal da noite tem como uma cabeça de matéria a seguinte sentença ao apresentar MT, em uma de suas matérias: “agora o Brasil esta mostrando ao mundo que tem muito mais do que suingue no pé”. O que pensar das rádios que insistem em tocar o mesmo tipo de música, geralmente, lixo estrangeiro ou tentativa de lixo nacional?

Enfim, no meio dessa contradição, bem típica do lugar que se apresenta como paraíso que atua como inferno, o terceiro milênio têm reservado ao menos a possibilidade de escolha para aqueles que conseguem transpor a barreira do trivial, que buscam novos sons e ao mesmo tempo, reparar melhor na cultura brasileira gravada e muito bem representada, seja ela em vinis ou em bits. Há todo um movimento de resgate do samba, do choro, das extensões do clássico em sintonia com o popular, da relação digerida de nossa música e músicos com aquilo produzido no mundo, não só nos Estados Unidos, pelo jazz e pelo rock, mas também na Europa, África e Oriente.

E nesse ínterim, mesmo sendo um celeiro de grandes intérpretes, cada vez mais é possível destacar a presença poderosa do instrumental de qualidade nesse cenário contemporâneo. A Orquestra Voadora (RJ), o Quinteto São do Mato (MG) e o Bixiga70 (SP) são exemplos, justamente, da riqueza musical que estamos presenciando nesse início de milênio. São grupos que mesclam estudiosos e intuitivos, que buscam referências qualitativas e construtivas no que houve e há de melhor na música regional, nacional e universal.

No dia 09 de agosto, iniciou-se em Juiz de Fora uma série de apresentações do projeto “Cultural Orquestral”. Ele consiste na presença mensal de artistas instrumentais de qualidade em uma cidade média. Algo raro para os padrões enlatados e de dependência cultural a que estamos acostumados a presenciar. A primeira apresentação ficou por conta da Orquestra Voadora, banda que traduz de forma intensa a alegria e a sabedoria da música brasileira. Os componentes, os metais e tambores reproduzem para o público uma vibração inexplicável que não suporta o tédio e faz com que a alma se eleve e até chegue a pensar que estamos, sim, em uma espécie de paraíso.

Portanto, o que se espera é a valorização por parte do público e dos promotores de eventos desse alto grau de qualidade. A carreira musical é difícil, mas eles estão aí para nos envolver, entreter e fazer pensar e somente a partir da divulgação e comoção, da oportunidade e da remuneração justa é que sim, poderemos novamente vibrar na sintonia do que cabe à terra do cruzeiro. E que isso valha também para quem é da terra, para aqueles que ralam nas 11 e ainda tocam seu instrumento e ainda estudam e ensaiam e mesmo assim, tem seu valor bem defasado em relação ao que vem de fora dos limites da cidade. Um insulto, uma espécie de burrice que causa uma aberração: pagamos bem aos que são de fora e damos oportunidades aos bons filhos de nossa cidade.

[veja outras fotos do evento aqui]

Chadas Ustuntas – Quinteto São do Mato

Maíra Delgado – Quinteto São do Mato

Nara Pinheiro – Quinteto São do Mato

Discussão

Um comentário sobre “A música universal brasileira | Orquestra Voadora

  1. Reblogged this on zarpantee comentado:
    A Orquestra Voadora estará no evento relativo ao projeto Barreras no dia 29 em Santa Teresa, no Rio de Janeiro!
    Não percam!

    Publicado por zarpante | 21/08/2012, 10:50

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