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Cultura, Festival, Música, Urbano

Virada Cultura – Lado A | Noite

As ruas da cidade são feitas para várias coisas, surpreendentemente, até serve para as pessoas. A Virada Cultural 2012 foi uma experiência das mais interessantes que vivi no meio do caminho de carros e barulhos. Algumas bandas que fazem parte do meu repertório recente, outras do tempo do toca-fitas e as “novidades”, deixaram minha alma leve, mas com aquele incômodo de pão e circo falando o tempo todo no estômago. Não vou nem comentar a minha decepção (já esperada) com nosso ex-ministro que simplesmente ignorou o #vetadilma porque talvez não fosse “político” da parte dele apoiar um ideia contrária a quem estava bancando o show. Foda, porque é e sempre foi nos palcos que artistas puderam expressar desejos e verdades para a multidão. Era para ser político (no sentido que tanto precisamos), seu Gilberto! Coisas da vida…

Sérgio Dias – Os Mutantes – Palco São João

Man or Astro-Man?

Formada em 1992, no Alabama, estado na costa leste e que nem tem muito mar, a banda de surf music (sem perder nada para as californianas) tem como pegada a música otimamente trabalhada instrumentalmente, a mistura de gêneros, além da fantasia espacial. O som muito pesado, com influências nítidas de hard rock, grunge e metal, mas sem exageros para o ouvido, Man or Astro-Man? levou ao público momentos de delírio e que, com certeza, aumentaram os hits da banda na ineternet. Eles vieram com um jeito bem próprio de se vestir, macacões, roupas de heroína espacial e talvez uma leve ironia ou homenagem àquilo que os palcos sempre trouxeram para o mundo: um espetáculo a parte, com roupas e corpos desafiando o padrão e, ao mesmo tempo, paradoxalmente, lançando moda. Os temas espaciais estavam tanto nas vestes, quanto no som, com o auxílio de sintetizadores e um incrível teremim, muito bem executado!

Depois, com o show já na metade, empolgados com a música, o público e quem sabe, coisas extras, os guitarristas deixaram a baixista e o batera no palco e foram para a galera, literalmente. Eles ficaram passando de mão em mão enquanto a “cozinha” mantinha o alto nível do show. Nesta próxima quinta, eles voltam, dessa vez no Cine Joia – vale a pena “rever” e torcer para que encerrem o show da forma gloriosa: com a execução sideral e bem controlada de um teremim original e cheio de relação com o universo. No fim, acenderam um pira, da qual os movimentos conseguiam tirar som da instrumento eletrônico. Ahhh! Foi um daqueles momentos inesperados e que a gente conta para os filhos, netos etc (muito mais do que a zoada na praia, no carnaval, igual a todas as outras e cheia de momentos frívolos).

Afrobeats ou Os Mutantes?

Durante o dia inteiro essa pergunta me guiava para a primeira opção. Por acaso, a vida me fez escolher a resposta mais correta para o meu espírito. Apesar de ser muito bacana imaginar o Brasil como um lugar onde a herança africana se encontra de forma mais evidente com o ocidente, não deu para ver o filho do Fela Kuti, Seun Kuti. Antes, porém, ao passar por lá, foi bacana assistir o lendário baterista do mesmo Fela, Tony Allen e a alegria de alguns irmãos do continente negro se divertindo em São Paulo. Pareciam enebriados e estavam com filhos e familiares se emocionando com a frenética batido do nigeriano. Provavelmente, eram de alguma banda que havia se apresentado e então, ficaram dançando com sorrisos largos no passeio da Júlio Prestes.

Ouvir Os Mutantes em São Paulo é um privilégio. Ainda mais neste sábado, onde Arnaldo Baptista esteve presente também, mas se apresentando no Teatro Municipal. A energia mutante arrastou uma multidão, que cantou junto músicas das mais interessantes emergidas pelo rock tupiniquim de todos os tempos. Por sorte, depois de ter a carteira “furtada”, pude acompanhar esse momentum da sacada de um prédio na própria São João. Com o corpo dependurado no êxtase, cantei feliz algo que quando era muito fã não achava que poderia viver. Eles, agora, voltaram para o meu mp3player e Sérgio Dias subiu enormemente no meu contexto. Acho que tinha certo preconceito com suas vestes a la vaqueiro, penso que é porque não entendia muito bem a relação… mas, enfim, são os mutantes…

E para encerrar a noite, a banda favorita do momento, Bixiga70! Esse foi o terceiro show que fui e foi mais uma porrada, com os caras quebrando tudo nos metais e no afrobeat.

Amanhã, comento Titãs e o resto. Abaixo um pouco do que estava por lá também:

Foto: Beatrice Navas

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