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Portfólio #13 | Alegorias & Feminino

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Calle Libre Festival Vienna

O  projeto de curadoria artística Portifólio é uma forma muito pertinente para se dizer sobre o que pode ser feito de um espaço de trabalho. Ele chegou à 13ª edição sob a responsabilidade e acontecendo, na sede da Aktuell Comunicação, agência que fica no Campo Belo, em São Paulo. A ideia é muito interessante e une ambiente de criação e criatividade executada. Além disso, aqueles que trabalham com comunicação, seja lá de qual área ou especificidade, geralmente apreciam a arte e formam seu público e, além disso, suas referências para trabalhos e mesmo, para a vida, são de movimentos passados ou contemporâneos, artistas, produções atuais etc. A exposição foi distribuída pelo espaço e habita o cotidiano de quem trabalha ali.

O texto de apresentação do projeto Portifólio #13 diz que assim, a agência ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento da produção artística autoral, oxigena o ambiente da própria empresa, levando para dentro do seu espaço físico arte contemporânea de qualidade.

Honeycomb All You Can Paint Festival

Nesta edição, dois artistas que têm certas aproximações mas que, enquanto o brasileiro Gabriel Centurion toma a tela como suporte, Marina Zumi, argentina, segue o muralismo, tradição muito incorporada à cultura hispânica na América Latina. Ambos se relacionam esteticamente em termos de paletas cromáticas (em algumas circunstâncias), a incorporação de um plano de fundo e a busca por elementos mais naturais ou que remetam a uma caracterização humana por trás ou em junção com o instintual, espontâneo, porém figurativo.

Centurion assume em seus trabalhos a informação que pode ser investigada. São imagens irônicas, com um grau de comunicação e com referência ao repertório da cultura contemporânea. Ele coloca hibridismos e máscaras que deixam o homem indiferenciável e escondendo suas expressões faciais, a verdadeira natureza. É como se existissem como um lugar, não como pessoas, e sim, corpos. Algo que habita essa posição, mas que pode ser qualquer um desde que vista “aquela” máscara, “aquela” roupa, tenha “esta” expressão corporal em comunhão com “estes” elementos. Por outro lado, compõe homens com cabeças de animais e bichos em posições humanas, algo que de alguma forma remete tanto a Walt Disney, quanto a George Orwell.

Detalhes que escapam

Marina Zumi vive e trabalha em São Paulo há três anos. Formada em Indumentária, a artista urbana e designer freelancer carrega em suas obras a tentativa de expressar uma realidade (ou a busca dela) diferente aos olhos de quem passa, diferente para aqueles que vivem em meio à fumaça e ao asfalto. Seja na organização de Buenos Aires ou no caos de nossas ruas, Marina evoca sensações e sentimentos não só nas escolhas figurativas, mas também em seu personagem, o panda – uma espécime que exalta um tipo de beleza e subjetividade pouco comum à ferocidade mundana e humana.

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Os olhos desse animal ameaçado, as formas e condições com que os pandas aparecem em seus muros, muito remetem aos próprios desenhos da alma do artista sensível, de um ser humano não necessariamente incompreendido, mas que não compreende, não entende direito as regras, limitações e prêmios que lhe conferem.

É possível perceber também algo do próprio feminino tentando ser dito, falado ao homem. É uma posição transbordada, admirada, emocional todavia distante, fora da realidade feroz da violência barulhenta e fálica da cidade, construída e regrada anos pelos braços fortes e imperativos do macho.

É interessante olhar para as escolhas de Marina Zumi e pensar sobre a mulher no graffiti. O ambiente das ruas naturalmente fez com que esse movimento tivesse uma maior participação de homens. Segundo Priscilla de Paula, artista e doutora em plástica contemporânea, a mulher sofreu muitos preconceitos nesse meio e teve que se adaptar ao universo masculino para ser aceita e, não necessariamente, vista com os mesmos olhos. Os temas muitas vezes, inclusive, reforçam a própria informação do que é a mulher, mas em uma visão de mundo culturalmente colocada pelo homem. Assim, a g-girl escolhe elementos que a cultura lhe impôs como signos de si – o rosa, bonecas, flores, personagens femininos como a Hello Kitty, corações, bocas etc. E faz isso por que precisa de pintar para se ver aceita, não importando o quê e porquê.

Marina, por sua vez, apresenta em sua obra uma angústia própria da incompreensão desse mundo construído e forjado em caos. A maneira como compõe árvores, jardins e os pandas está claramente associada a sua intenção de contrapor, romper ao cenário natural do urbano, de como a mulher pode estar além de estar “ao lado” do homem. Da mesma forma, a expressão estética foge do óbvio do graffiti e do mural dando-lhe aspectos originais. Suas peças devem ser vistas de uma forma unitária, não fragmentada. Ela possui elementos sutis que o olhar carregado de pressa muitas vezes perde. Esse quase invisível mostra que existem conexões entre a natureza, o panda, o muro, as energias do mundo, o observador. É o feminino irradiando movimentos que extrapolam a caixinha racionalmente produzida em série pela TV.

Flickr Zumi

Aktuell Comunicação

Priscilla de Paula – O Graffiti Hip Hop e a Mulher

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