//
Acrescente
Agenda, Artes, Ativismo, Cultura, Fotografia, Jornalismo, Lá Fora, Pintura, Urbano

Revolução na rua | dia do Graffiti

Há quem prefira chamar o golpe militar de 1964 de “revolução”. Muitas vezes, esse termo está vinculado a um discurso “desgolpista” por parte daqueles que amordaçaram o Brasil por duas décadas. Entretanto, o que seria de nós se não fosse a falta e a injustiça? Como sobreviveríamos ao estabelecer neoliberal no aqui-agora sem doses de Chico, Leminski e Vallauri? A repressão à mente sadia aumenta com os valores duvidosos que nossa indústria cultural produz a cada domingo e esses santos sagrados, criados à pau de arara e subversão, deixaram sangue suficiente para desentupir nossos corações e desviar as vistas da caretice.

O graffiti tem suas origens incertas. Há indícios de que em Pompéia a arte de rua já era recado dado para o cidadão e sem papas na língua, sem regular sacanagem. Na era atual, divide-se entre os movimentos de bairros negros americanos dos anos 1960/70 e o boom midiático do Maio de 68. Nas duas pontas do atlântico, a expressão nas ruas veio evoluindo ao mesmo tempo em que a cidade passou a ser um local estranho para pessoas e um lugar só possível para o carro, a fumaça e o barulho.

No Brasil, um dos ou o pai do graffiti atende pelo nome de Alex Vallauri. Artista gráfico, grafiteiro e pichador, Vallauri fez do stencil sua forma de resistência, sua revolução ao golpe. Nos anos 1980, com a abertura política, sua arte deixou de incomodar tanto e de alguma forma, popularizou-se. Claro, estamos falando de um país cheio de caretices e o alcance desse “popular” se dá no sentido de “despertar” e criar um nicho de admiradores e iniciantes. E mesmo com sua morte prematura, em 1987, seu movimento não foi interrompido e AlexVive ainda por aí. E está naqueles que herdaram seu maná permanente de incômodo com a inércia e a falta de criatividade própria. Neste sábado, Celso Gitahy, Cláudio Donato e Ozi Duarte prepararam o terreno para a comemoração do dia do graffiti que acontecerá no Estúdio Traquitana (Rua Santo Antônio, 1015 – Bixiga), amanhã, dia 1º de abril, pelo sexto ano consecutivo.

Além desses dois mestres da arte de rua, Simone Siss e outros artistas participaram desse dia anterior ao dia, contribuindo para uma recepção digna para amanhã.

Quem for participar do evento, pode levar tinta e máscara que haverá para pintar no entorno do estúdio.

A revolução não será no facebook!

Discussão

Trackbacks/Pingbacks

  1. Pingback: Dia do Graffiti | Pela pluralidade « Amalgama Cultural - 02/04/2012

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Leia!

Tryoka Koletiva

Obvious

Sons & Vibrações

Blog de Fotografia

BLOG

%d blogueiros gostam disto: