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Cabaret Revoltaire no Zé Presidente

Apesar do tempo atual estar além do bem e do mal, ainda há uma névoa que enclausura e força o ser a manter sempre as mesmas direções, pegar os mesmos caminhos, continuar adicto em seus paradoxos. A noite fervilha esperando pelo mar de gostos e o que se quer é mirar vítimas, dar o bote e acordar com a luz do sol na cara, no outro dia, em uma cama qualquer de um quarto sem coordenada.

E no efêmero prazer do desconhecido, a chance de se ter produzido algo diferente daquilo que se faz desde os 16 é razoavelmente baixa. Pode parecer careta, mas o que falo é ao contrário: é deixar a caretice de lado e enriquecer a noite consigo e com os demais e com aquelas outras coisas que estão escondidas e se revelam, principalmente, com o estímulo à observação/produção de arte/expressão. Não há mal em querer se aprofundar no espírito das pessoas quando cai a noite. É preciso admirar as pessoas além das primeiras impressões. Óbvio, sem, necessariamente, castrar o resto.

Cabaret Revoltaire é um cenário lúdico, no qual a música, a poesia, a performance e as artes plásticas compartilham suas virtudes e pecados com a noite e seus personagens. Neste mês, o palco do projeto cultural foi o Zé Presidente, uma boate além do bem e do mal, na V. Madalena. A casa conta com requintes pagãos bastante acentuados –  uma imagem de um Exu, velas vermelhas e etc e talz protegem a entrada – o que dá um charme a mais ao lugar, mostrando que ali, é ali mesmo, sem falsos moralismos, afinal,  artes profanas alimentam anjos decaídos e o diabo é um grande apreciador.

Sons e Furyas 

Uma das atrações do Cabaret foi a banda performática com tendências oitentistas e a ácida crítica paulistana, Sons e Furyas. Composta por André Sant´Anna, Helô Ribeiro e Vanessa Bumagny, com participação de Luiz Roberto Guedes, S&F trouxe ao público irreverência e uma relação – às vezes, sumida – da música e do palco com o humor político, comportamental e inteligente.

Modelo vivo e Sinhá

O Cabaret Revoltaire no Zé Presidente, ainda ofereceu espaço para performances sensoriais; modelo vivo para quem quisesse desenhá-la e live painting com a artista Sinhá, que iniciou a pintura de uma quadro à óleo. O tema era uma de suas personagens figurativas que transmite uma certa impossibilidade, algo do feminino, obtuso. Lembrou-me muito Nina Simone.

Enfim, o desejo é algo inerente, corpos sempre se tocarão e indivíduos se esforçarão para fazê-lo. Entretanto, a vontade de se estender e entrecruzar espíritos também pode ser um esporte interessante para a noite de SP (onde não existe amor). Alguém ai para dar um-dois e falar de livros?

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  1. Pingback: Sinhá | fechando o peito com buracos « Amalgama Cultural - 26/04/2012

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