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Sócrates | Socialista na veia

Sócrates, censurado pela Globo, mesmo depois de morto via Vinnicius de Moraes

 Publicado originalmente no Blog “Conexão Brasília Maranhão“,

do jornalista Rogério Tomaz Jr.

Sócrates foi um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.

E era amplamente reconhecido e respeitado pelo seu caráter, pela sua inteligência e pela sua personalidade.

O que nenhum grande veículo da grande mídia cita é que Sócrates era alguém convictamente de esquerda.

Ou melhor, como ele próprio dizia, não era de esquerda ou de direita. Era “socialista no sentido pleno da palavra”*.

Como poucos, Sócrates era um ser humano integral, coerente entre o que pensava/falava e o que fazia.

O seu modo de comemorar gols, muitas vezes sem a intensidade proporcional que gera nos torcedores, mas sempre com o punho cerrado no braço erguido, é uma saudação comunista clássica**.

Ontem, minutos antes do início da partida contra o Palmeiras, na derradeira rodada do Brasileirão 2011, jogadores, torcedores e comissão técnica do Corinthinans o homenageram, imitando o gesto que ele tantas vezes repetiu.

Os dois narradores da Globo (Cléber Machado, na TV aberta, e Milton Leite, na Sportv) mencionaram apenas “a forma como ele comemorava seus gols”.

Não estão errados, óbvio. Mas aplicaram ao pé da letra o Manual da Rede Globo: tornar invisíveis as ideias e os símbolos comunistas, socialistas e da esquerda em geral.

A censura é tão sutil – e ao mesmo tempo insidiosa – que a simples omissão contínua dessa referência, ao longo de tanto tempo, naturaliza a desinfomação. Pouquíssima gente – mesmo muitos corintianos de esquerda – sabe que o gesto de Sócrates era uma menção à ideologia que ele defendia. É possível até que os narradores da Globo não saibam desse “detalhe”.

A não disseminação dessa referência – feita por um ídolo, uma estrela do esporte, uma pessoa pública de grande visibilidade, mas de convicções contrárias ao establishment – é um ótimo exemplo de uma minúscula, embora muito eficiente (inclusive porque é camuflada), ação da guerrilha ideológica que – apresentando-se como algo “natural”, casual – é feita sistemática e permanentemente pelos meios de comunicação.

Em resumo: neutralização ou contrapropaganda ideológica.

Os meios de comunicação (e seus porta vozes) fazem apenas o seu papel – de aparelhos privados de hegemonia, para usar o conceito gramsciano. Cabe a nós combater e desconstruir esta ação deletéria.

Sócrates era (e continuará) sempre saudado como alguém íntegro e um grande profissional, mas não interessa – aos donos do discurso oficial – lembrar que ele também era comunista.

Daí a censura. Sutil e perversa, porque esconde uma dimensão do ser humano Sócrates que faz parte da sua essência e da sua integralidade enquanto pessoa.

Daqui a 100 anos, a persistir essa censura, ninguém saberá que Sócrates se afirmava comunista.

Se é para perpetuar e celebrar a memória de Sócrates, que o façamos na sua integralidade, e não apenas parcial e convenientemente.

Viva Sócrates!

Abaixo o vídeo com a homenagem:

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