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Domingo chuvoso

por Lineker Mauler – originalmente em A Cena é Fraca

Fui inspirado a escrever esse texto que vos apresento por uma notícia que me alegrou excessivamente, quando deveria ter me deixado triste. Ei-la: fui ao psiquiatra ontem e ele me disse “Seus sintomas se enquadram num grau de depressão em desenvolvimento.” O que ele quis dizer no bom idioma “Brasileiro” é que eu não estou no céu nem no inferno. Eu, que sou extremista ao extremo, acho isso muito bom, uma vez que, pra estar no céu ou no inferno, eu tinha que estar morto. E esse é um projeto pra daqui a uns 20 anos só.

Passei a tarde vendo programas de auditório. Os que me conhecem razoavelmente sabem que eu sou uma pessoa muito chata. Isso porque eu critico tudo – o que entendo e o que não entendo. Detestava a ideia de “sentar na poltrona num dia de domingo” para engolir mais alienação, ideologia capitalista, falsa sensação de felicidade, etc. Mas hoje eu me surpreendi.

Como eu agora sou oficialmente doido, tenho a liberdade que eu quiser de abrir meu pensamento a qualquer momento, em qualquer lugar. Fiz isso e reparei que os programas bestas e enjoativos de domingo são, na verdade, muito bem produzidos, pensados, elaborados. Cada detalhe imperceptível que só toca o canto mais escuro e profundo do inconsciente é trabalhado de forma a nos tirar a defesa por completo e só perceber que fomos invadidos quando recebemos uma receita de tarja preta pra comprar na farmácia.

Depois, eu e um amigo assistimos ao jogo do Vasco, arrancamos a tampa da cabeça e ficamos a comer e jogar vídeo-game. Depois que ele se foi, entrei na internet e lembrei por que eu não entro na internet aos domingos, principalmente chuvosos como hoje: todas as pessoas que vieram falar comigo estavam exacerbadamente estressadas. Todos muito racionais, com argumentos científicos me explicando mundos e fundos, tico e teco, marmita e marmota, Rio Negro e Solimões, etc.

[Youtube=http://www.youtube.com/watch?v=enAx71wlFqM&feature=related]

Enfim, só tenho uma mensagem curta a deixar para o fim do dia de vocês: estou muito contente com minha apreciação dos programas de TV e dos comerciais nos intervalos, com a conversa descontraída e as partidas de “Ronaldinho Campeonato Brasileiro 98”, com o bombom que minha mãe comprou pra mim e com o fato de estar doente. Nossa, por quê? Porque agora eu posso pensar o que quiser, falar o que quiser, ser antipático o quanto eu quiser. E, usando uma construção que eu antes condenava – o “sou alguma coisa mesmo!” -, vou curtir meu novo eu porque eu sou muito doido mesmo. Vocês, estressados, que se amem do lado de lá. Passar bem.

 

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