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Não estou lá | Bob Dylan

Quem foi Bob Dylan? Ele não morreu, mas sua história de vida já compõe uma saga com vários capítulos heterogêneos, como se existissem fragmentos completos de personalidade e conduta. Dylan teve início prematuro e se tornou sucesso com seu Folk, no início dos anos 1960. Mais tarde, nas lutas pelos direitos civis,  foi a voz marcante de uma geração pedindo liberdade de expressão e igualdade de relações, em suas músicas.

No decorrer da década, adotou a guitarra e foi acusado de traição por seus fãs indignados com a adoção do rock e traição à tradição. Dylan foi mais sagaz que tantos outros como Jim Morrison e Jimmy Hendrix. Os dois astros se tornaram escravos de seus produtores e entraram em profunda depressão por conta da criatividade de ambos, estarem bloqueadas pelo interesse repetitivo da indústria fonográfica. Como eram artistas e a arte tende a não se tornar uma linguagem única no espírito de quem a produz, de certa forma, foram assassinados pela cultura mercadológica da música, emergente à época.

O cantor e compositor ainda tentou carreira no cinema, como ator e diretor, mas o fracasso o levou ainda mais para longe de uma vida de sonhos. Casamento tumultuados, relações com a impressa e fãs conturbadas e vários outros ingredientes que refletiram em sua decisão de se isolar ainda mais. A alternativa encontrada foi se embrenhar na descoberta de um apostolado católico e a abstinência à vida lá fora.

O filme “Não estou lá” (I´m not there), dirigido por Toddy Haines, apresenta Dylan sob as vestes de seis personagens, interpretados pelo mesmo número de atores. O artista é retratado em seu início de carreira como um adolescente negro, em uma vida de viajante, enrascadas e muito carisma. O personagem Jack Rollins (Christian Bale) é o Dylan dos protestos e do crescimento de sue público. Em seguida, entram em cena, Ben Whishaw e Heath Ledger. O primeiro aparece apenas em entrevistas. Nessas falas estão expostas a filosofia e o sentido da carreira do cantor americano. Ledger, em mais um personagem bastante fora do comum, é um ator que retrata uma espécie de biografia documental de Jack Rollins. Ali são mostradas as fases em que Dylan tentou se aventurar além da música e em seus problemas em casa, com a ex-mulher e os filhos.

Para muitos críticos e fãs, o melhor personagem-personalidade do artista seria interpretado por uma mulher. Sim, a atriz Cate Blanchett é Jude Quinn e representa o rompimento de Dylan com o folk e a ascensão de sua nova paixão a guitarra. Um das citações mais diretas aos momentos históricos, mesmo que metaforicamente, foram as divertidas brincadeiras entre Jude Quinn e quatro rapazes muito parecidos com os Beatles, durante sua passagem por Londres.

Por fim, o ator mais famoso a fazer parte da montagem: Richard Gere. Ele é um Dylan solitário, recluso em uma comunidade anacrônica prestes a ter que mudar de vida. É sem dúvida, uma das partes que mais deixam o filme lento e dá até um pouco de sonolência. Entretanto, Gere também protagoniza a cena em que o cantor volta à música, de certa forma, recompensando seu personagem, digamos, mais contemplativo em contrapartida aos outros.

Para quem quiser mais informações, Não Estou Lá (I’m Not There) – IMDB.

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