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Clube da Liberdade | ?

A manifestação urbana é uma das marcas de nosso tempo. As ruas cada vez mais são ocupadas por informações. Sejam elas oficiais, comerciais ou anônimas. Esse diálogo cotidiano traz resultados práticos para a vida social. Estar diante qualquer mensagem, seja ela um letreiro, um carro de som ou um adesivo colado em um poste, é se relacionar com um outro, seja ele gente, marca ou instituição. E dessa relação saem ações, pensamentos e cognições com novos ou antigos signos.

A imagem acima lhe remete a alguma coisa?

Barthes diz que as imagens fotográficas possuem dois ambientes para avaliação. O primeiro seria o studium, onde seriam feitas análises concretas sobre o objeto. Portanto:

A foto apresentada tem como maior área, um desenho sobre papel, feito com spray na cor preta e colado em um ambiente pintado de vermelho sobre concreto. Abaixo, o que parece um pedaço de bueiro pode indicar algo a mais. O sujeito encara o fotógrafo e duas manchas, aparentemente tiros, estão em volta do rosto. Ele veste terno e gravata.

O segundo aspecto da teoria, o punctum, são aquelas diferenças sutis que se tornam aparentes em contradições retratas, em situações em que signos se tocam, se afastam ou se juntam, nos aspectos diversos de uma imagem. São sensações subjetivas e relativas ao repertório pessoal do observador. Dessa forma, é aquilo que muitos até podem compartilhar como “achado” na fotografia, mas cada um vai fazer a própria interpretação da coisa. Assim, por exemplo, algo que fica nessa impressão mais delicada é o fato do grafite ser feito sobre o papel e não sobre a parede. A pessoa não quis marcar a parede ou então, dar um contraste a mais para a figura. Além disso, as marcas de sprays engrossadas remetem ao signo da violência, do sangue, da arma de fogo, ferimento.

Agora falta entender melhor o contexto e as relações de signos por trás da imagem. Em um primeiro olhar, talvez um rosto parecido em meio a dois tiros. Muito mais que o ator Edward Norton, a figura representa um personagem dos mais espetaculares do início de milênio: Tyler Durden, de Clube da Luta, vivido tanto por Norton, quanto por Brad Pitt

A narrativa discute os contornos do capitalismo financeiro, sua pressão sobre as pessoas e as formas de alivio e alienação nesta sociedade. Da mesma forma em que somos tomados pelo tempo da eficiência e do trabalho/recompensa e não pensamos/agimos livres da imposição desproporcional do mercado, gostaria de saber onde está a mente das pessoas, no que pensam, de que forma? O quanto somos e o quanto achamos que somos? É possível sair fora?

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